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Despedida

Eu me rendo. Desculpe a todos que não queriam ler isso, mas estou chegando no meu limite. Todos os recomeços, de todos os dias, me esgotam por dentro e me tiram forças pra que eu possa viver. Eu apenas sobrevivo, e como me dói isso. Como me dói ter me tornado uma pessoa que nunca quis pra mim mesma, como me dói não ter forças nem motivos pra ir em frente. Como me dói pensar em jogar sempre tudo pro alto de novo. Como me dói tentar viver novamente e não conseguir, não ver sentido, e não conseguir, nem por um minuto, lembrar como era ser feliz lá dentro do coração e não só fingindo para outras pessoas. Como me dói conviver com pessoas que eu amo que fingem não ver meu sofrimento, que preferem se cegar a essa "fase" ruim que estou, que sou. Eu não sei nem como descrever isso direito, mas vou tentar. O tempo todo me sinto vazia, me sinto incapaz, me sinto menos. E quando pego impulso pra tentar pensar diferente, ou tomar alguma atitude diferente, eu volto três casas no jogo...

Pai

Sonhei com você, pai. Nós dois, sentados, e não conversávamos. Mas pai, você me deu sua mão, e eu a segurei tão forte que eu juro que a senti. Eu lembro até agora da sensação de conforto e de, ao mesmo, tempo desilusão. Eu não conseguia acreditar que era real. Realmente não era. Mas eu senti. Senti tanto que chorei. Chorei e chorei muito, pois sabia que não era real, e queria que fosse. Pai, não importam os anos que se passam, você ainda continua aqui. Depois de tudo que eu vivi sem você aqui, eu nunca esperava te sentir assim tão próximo. Exatamente dezesseis anos atrás eu não lembro que sentia tanto quanto eu te sinto agora. Ainda sinto sua falta. Sempre vou sentir sua falta. Só de escrever sobre isso dói, minha garganta se transforma como se estivesse entalada pra engolir o choro. Mas espero que você descanse pai. Por favor, descanse. Eu sei que precisei muito de toda sua ajuda, mesmo você por aí. E eu sei que eu recebi toda essa ajuda e essa força. Mas pai, você se...

Sou

Eu sinto que sou.  Sou mais.  Mais que toda essa hipocrisia que nós fingimos que não vemos todo dia.  Eu sou tanto, mas tanto, que tenho medo de não ser mais.  Tenho medo de me perder.  Tenho medo de não confiar mais em mim, em tudo que sou.  Eu sou. Sinto muito por mim, por não ter coragem de mostrar pro mundo tudo que sou.  Guardo sim, pois esse mundo não me entenderia.  As pessoas não me entenderiam.  As pessoas não são como eu sou. Eu sou lá do fundo... Mas tão fundo que (ainda bem) não cheguei a tocar o final. Soul.  Alma. É o que sou.

Sobre minha falta de vontade viver

Amanhã é minha primeira consulta em um psiquiatra. Sempre achei que chorava a toa, mas achei que tinha herdado isso da parte materna e também pelo tanto de babacas que conheci na vida. Enfim, nunca achei que precisaria ir ao médico por isso. A questão é que não me reconheço mais. Faço coisas que a Vanessa de cinco anos atrás não faria. Eu dava muita risada, não ligava tanto pra aparência, tinha forças pra trabalhar, estudar e ainda fazer exercícios. De dois meses pra cá, a coisa ficou feia. Eu me entreguei. Coloquei na minha cabeça que 2016 foi um ano tão difícil, que em 2017 eu me entreguei. Hoje, agora, eu olho pra mim mesma e me vejo fraca. Tomar remédios pra apagar virou solução pra esquecer da pessoa que virei. Como compulsivamente pra saciar esse sentimento ruim, e pioro depois porque me importo muito com o que os outros pensam e falam de mim. Eu quero ser perfeita e aca...

ISSO

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Eu me forço a escrever sobre isso.  Porque escrever faz bem, faz nós não guardarmos tudo pra dentro, faz escrever melhor,  é uma terapia.  Bendita psicóloga que é a prática do verbo escrever.  Mas está difícil,  moço.  Você nem sabe!  Nem escrever traz a calmaria que trazia. Antes eu conseguia definir a maioria dos meus sentimentos em palavras,  mas agora tenho tanto medo até de escreve-los para que não se tornem reais. Digo, reais ao ponto de eu me forçar a sair do lugar,  pois já são reais no coração.  O que aconteceu com aquela pessoa que adorava escrever, nem que fosse chorando pra dor aliviar? O que aconteceu comigo? Não me reconheço como sou. Sei como sou, mas não ajo como sou. Dá pra entender?  Eu só sei que "isso" não é lá muito bom.  Parece mais com comodismo com coisas ruins. "Isso" me dá uma enorme falta de vontade de viver. Seja lá se for pra começar,  recomeçar, ou simplesmente,  contin...

Quanto tempo

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Estranho pensar em quanto tempo se passou. Difícil entender que o tempo passou. Há muito tempo que não escrevo, há muito tempo que venho perdendo um pouco disso. O tempo, sempre ele, esse tal, tem me mudado, me mudou. Mas continuo eu, porque apesar de tudo, quero continuar mudando. E vamos em frente... Me segue no twitter: @gersoviski

Exagero

É difícil sentir as pernas em um momento como esse. Eu não consigo sentir nada além de uma vontade de chorar absurda.  Minha pressão cai mais a cada minuto e eu não consigo me recuperar porque eu não quero me recuperar.  Eu não acredito que isso esteja acontecendo.  Eu não consigo olhar pro lado e me ver sozinha.  Eu não consigo pensar em ninguém que possa me reconfortar porque não há ninguém pra me reconfortar.  Eu não sei o que fazer,  eu estou perdida.  Eu queria que amor fosse suficiente,  porque eu te amo mais do que tudo e você sabe disso.  Falta respiração e vontade de viver,  falta vontade de sorrir pro mundo, falta vontade de aceitar as coisas como elas são.  Eu não consigo sair da cama porque a dor me dominou de uma forma que tomou conta de todo meu corpo. Eu posso sentir doer órgãos que eu nem sabia da existê...