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Mostrando postagens de novembro, 2010

Retrato

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Eu não tinha este rosto de hoje,  assim calmo, assim triste, assim magro,   nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força,   tão paradas e frias e mortas;   eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança,   tão simples, tão certa, tão fácil:   Em que espelho ficou perdida a minha face? Cecília Meireles

Caos interior

Enquanto a tristeza se disfarça em um sorriso, mais um dia começa e termina. O que era verdadeiro já não é. Por decepções inesperadas, por pessoas inesperadas. Mas ainda haveria esperança? Declarações ocultas Declarações inúteis já que vêm de outras decepções. Talvez não maiores, mas não menores. Tirou-me a paz por ir, uma paz que eu mal sabia que tinha mas que agora me dói. Me dói esse vazio. Me dói, talvez eu nem saiba o quê. Mas dói tanto! Ainda assim eu sei, sei que a dor é passageira, que precisa de várias idas e vindas para conseguir anestesiar.

Você quer escrever.

Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra? {…} Você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, “apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo”. Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a “função social”, nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo....

Fernando Anitelli

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"Todo sopro que apaga uma chama, reacende o que for pra ficar." "Sonho parece verdade quando a gente esquece de acordar. E o dia parece metade quando a gente acorda e esquece de levantar. (...)" " Perto é estar perto sem estar." " Descobrir o verdadeiro sentido das coisas é querer saber demais. "

Beyond of inspiration

Logo menos estarei sufocada pelas minhas ideias e atitudes Erradas ou não Porém, não há arrependimento Não há perdão. Sufocam-me os planos não colocados em prática O ano que demora a terminar A confiança em pessoas ignorantes  E as pessoas que insistem em abandonar. O fato de esperar me deixa louca  E o fato de me declarar me faz insana, só de pensar Declarar a dor, o amor, a falta dele Declarar a saudade, a vontade, o sentimento que invade. Sem inspirações óbvias, pois não me sinto mal Muito menos extravasada de alegrias  Sinto-me transbordando palavras  Palavras das quais não consigo escrever, tampouco falar.

Lanterna Dos Afogados - Os Paralamas do Sucesso

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Quando tá escuro e ninguém te ouve Quando chega a noite e você pode chorar Há uma luz no túnel dos desesperados Há um cais de porto pra quem precisa chegar Eu estou na lanterna dos afogados Eu estou te esperando Vê se não vai demorar Uma noite longa pra uma vida curta Mas já não me importa basta poder te ajudar E são tantas marcas que já fazem parte do que eu sou agora Mas ainda sei me virar Eu tô na lanterna dos afogados Eu tô te esperando Vê se não vai demorar Quer ouvir também?

Com licença poética

"Mas o que sinto escrevo. Cumpro minha sina."   (...) Adélia Prado

Passado disfarçado

Arrume seu quarto hoje. Ele sempre está bagunçado pela desculpa de não ter tempo de arrumar, eu sei. Mentira, é preguiça mesmo. Veja seu quarto como sua vida. Deve estar toda desorganizada. E se por um acaso, ela aparentar um pouco de organização, eu também sei que foi porque algumas roupas e papéis inúteis foram empurrados para baixo da cama. Uma vida organizada é tudo que aparenta, mas sente que tudo é uma bagunça. Cada parte do seu quarto provavelmente tem um pouco de alguém, digo, da sua vida. Cada desordem, mesmo que não propositalmente, está lá com base no que um dia alguém te mostrou. São como marcas. E logo venho falar novamente das marcas que cada um pode deixar na sua vida. As marcas que continuam em você, foi porque você deixou. Afinal, se você não suportava ouvir reggae ou fingir que está gostando do papo, pra que vai continuar a fazer isso? Era um hábito, porque algo - alguém - te levava a fazer aquilo. Mas como você não gostou nem um pouco disso você simplesmente não ...

Pode ser

Pode ser a queda que traumatiza, e pode ser o levantar o que te torna mais forte... Pode ser a pessoa que vai e não volta, e pode ser a pessoa que foi sem nunca te deixar... Pode ser que estilhace por dentro, pode ser que solidifique, e pode ser que te surpreenda...  Pode ser a dura dor de uma vida perdida em um breve momento, e pode ser a felicidade de um nascimento que dura a vida inteira...  Pode ser.   O pode ser que foi, é o pode ser que  é. (sem identificação do autor)

E aí já era...

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É quando os olhos se caçam em meio à multidão, Quando a gente se esbarra andando em qualquer direção. Quando indiscretamente a gente vai perdendo o chão, e vai ficando bobo, Vai ficando bobo... E Aí Já Era - Jorge e Mateus

Sobre qual é o meu problema

E eu estava lá. Sentada em um sofá de duas pessoas tão pequeno que eu ocupava 70% de todo espaço. Com uma mesinha na minha frente, me chamando para colocar os pés em cima, mas não, eu não estava em casa. E foi por isso que me controlei. Reconheci as flores que estavam no vaso em cima da mesa. Eram as mesmas do filme que eu havia assistido ontem não eram? É. Mas não me lembro muito do filme, nem se quer o nome dele. A história não era interessante e as cenas não me chamaram atenção. Sem sexo, guerra ou ao menos um reencontro? Qual é, que filme é esse! Reencontros sempre me fazem chorar. Me faz chorar de um jeito estranho que até faz barulho. O quê? Chorar de felicidade não precisa ser bonito. Eu também não lembro quem morreu no filme. Mas alguém morreu. Talvez a mocinha ou talvez o vilão. Tanto faz! Mas quem eu queria que tivesse morrido não morreu. Afinal, o mocinho nunca morre. Nem na minha imaginação. Mas depois que ele soltou "te amo pelo o que você é por dentro" para a mo...

E já foi, mais uma vez.

Chega a ser difícil quando te vejo. Primeiro, meio que me transmite um nervosismo ou uma sensação de não sei se estou tendo uma dor de barriga, e depois passa. Mas depois volta, e apesar da expressão ser meia estranha, não é uma sensação ruim. Essa sensação aumenta quando você atravessa aquela porta com uma cara fechada de "não estou afim de papo hoje". Por que eu estou sempre tão afim. Mas você não. Aí você senta, e eu me viro na esperança de um oi. É sempre assim. E quando você me fala oi antes de sentar também não é dia de papo, mesmo sua expressão sendo melhor que a do outro dia. Mas aí você puxa papo. Isso é um bom sinal. Se ele está afim de papo hoje eu também estou. Ou não estou. Só para você aprender que eu também não tenho um super-bom-humor todo dia. Mas não resisto e começo a sorrir só de você ter começado a falar. Mas sempre tem alguém pra interromper, e se fosse só uma pessoa, eu nem precisaria colocar nesse texto. Mas essas pessoas são legais,...