Sobre minha falta de vontade viver
Amanhã é minha primeira consulta em um psiquiatra. Sempre achei que chorava a toa, mas achei que tinha herdado isso da parte materna e também pelo tanto de babacas que conheci na vida. Enfim, nunca achei que precisaria ir ao médico por isso.
A questão é que não me reconheço mais. Faço coisas que a Vanessa de cinco anos atrás não faria. Eu dava muita risada, não ligava tanto pra aparência, tinha forças pra trabalhar, estudar e ainda fazer exercícios.
De dois meses pra cá, a coisa ficou feia. Eu me entreguei. Coloquei na minha cabeça que 2016 foi um ano tão difícil, que em 2017 eu me entreguei. Hoje, agora, eu olho pra mim mesma e me vejo fraca. Tomar remédios pra apagar virou solução pra esquecer da pessoa que virei. Como compulsivamente pra saciar esse sentimento ruim, e pioro depois porque me importo muito com o que os outros pensam e falam de mim. Eu quero ser perfeita e acabo sendo totalmente o contrário.
Eu tinha medo de demonstrar e parar de fingir que estava tudo bem. Afinal, a vida não está fácil, nunca foi pra ninguém. E quem sou eu pra atrapalhar a vida dos outros com mais esse problema?
O que aconteceu foi, que querendo ou não eu atrapalhei. Chega uma hora que você não disfarça mais e simplesmente não se importa.
E o medo que eu tinha do meu problema ser pequeno e estar sofrendo a toa aconteceu: ouvi várias vezes que todo mundo tem problema e que devemos seguir em frente, ouvi meu irmão e minha mãe chorando falando dos problemas deles na minha cama, pra me fazer entender que eu não era a única. Isso só me fez sentir pior, mais incapaz, porque eu deveria conseguir levantar da cama.
Tentei vários esportes, ainda estou tentando, mas a vontade de ir não existe.
Até que um dia, em uma segunda feira de manhã, eu surtei. As segundas sempre eram mais difíceis, mas eu aguentava, e mais um dia levantei achando que aguentaria. Quando estacionei o carro pra trabalhar, eu chorei, chorei porque, alem de infeliz por estar ali, a calça que eu usava estava apertada pelo tanto que comi compulsivamente. Até agora essa calça ainda não serve e me dá desespero, e me lembra daquele dia, e me lembra que uma hora vou ter que ir trabalhar. Mas eu não consigo, eu ainda não estou pronta. Eu tive pesadelos e me desespero em pensar em trabalhar. As vezes não saio nem com meus amigos pela vergonha de me olhar no espelho.
Eu cheguei a tomar remédios da minha mãe pra dormir, e em seguida encher a cara de cerveja. O efeito disso durou até no outro dia no trabalho. Trabalhei dopada, todo mundo viu e eu não lembro desse dia.
Eu prometi que não ia mais tomar esses remédios, mas eu quero tomar. Eu quero fugir dessa pessoa que não sou mais eu.
Por isso Dramin fez um serviço mediano quando precisei, dois eram suficientes pra me fazer dormir umas quatro horas e me deixar semi dopada.
Eu me sinto mais sozinha do que nunca. Minhas amigas me apoiam, me ajudam, mas eu não aguento mais pedir ajuda e estragar os dias que saímos pra nos divertir. Eu não aguento mais ser essa pessoa que bebe pra fugir.
Eu quero voltar a ser eu e não sei como. Minha cabeça dá loopings pensando em como sair disso, mas ao mesmo tempo, as vezes nem da cama eu saio.
O texto não tem fim, não tem sentido, porque eu ainda continuo perdida em mim mesma. Eu só me questiono, quando é que foi que me permiti ser assim?
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